terça-feira, 9 de novembro de 2010

. por um momento sentido

Quando olhou em seu espelho e viu as duas imagens juntas se sentiu a pessoa mais feliz do universo. O simples ato de acordar e ver que, na hora de escovar os dentes, não só sua imagem refletia no espelho o tornou feliz por um tempo maior. Mesmo que não desejasse que fosse notado. Mesmo que soubesse que acabaria pouco depois.

Talvez por comodismo não quisesse sair da escuridão daquela manhã em janelas fechadas. Olhar para o lado significava ter o universo em seu peito. Todas as alegrias misturadas em um só sorriso. Um brilho no olhar. Havia alguém do lado. E o acordar já não indicava, naquele momento, estar só.

Podia sentir, pela primeira vez, em anos, era amor. E já não entendia como definir ou explicar o sentimento. Sentiu desejo de calar pra sempre e congelar o momento em sua mente por alguns instantes. Mas sabia que tudo aquilo seria eterno. Não seria apagado em vida, e resistiria em outro pensamento, talvez, em caso de morte. Ansiava saber se era recíproco. Mas seu medo de aceitar um “não” como resposta tornou tudo mais sofrido.

Tornou-se o medo em carência. E mesmo que soubesse da reciprocidade do sentimento tornara-se, então, isolado ao fato de sentir sozinho ou acompanhado. Mas queria reviver aquele amanhecer tão lindo. Queria reviver a noite anterior. O dormir abraçado. Os olhares. Por uma simples questão de estar amando... e querer sentir esse amor bem perto, apenas.

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