Acordei sentindo a música. Ela passou pelo meu corpo como sangue que me circulava pelas veias e artérias. Foi o primeiro som que imaginei, e ouvi. Despertou-me sensações. De frio, de medo, de liberdade. A música me trouxe de volta ao mundo e me sabotou a mente, levando aos ares todos os pensamentos.
Defini temas. Criei expectativas de como haveria de ser um dia tão cheio de trilhas. Parece que quando acordo com a música ela tende a controlar todos meus atos. E, ao mesmo tempo que, sinto prazer em tê-la comigo, agonizo a melancolia que me traz estar sempre enquadrada em uma linha melódica.
Acordei pensando em mudar um pouco. Escolher novos lugares, conhecer novas pessoas, buscar perigo. Passei horas pensando em determinar um fim a algo que não desejasse mais. Passei a desejar ser livre das hipocrisias, das mesmices, dos aproveitadores. Passei a desejar me libertar do casulo. Não tornar-me borboleta, mas em algo menos clichê. Uma espécie de vespa. Ou talvez em extinção.
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