sábado, 13 de novembro de 2010

. o cara estranho conhece o amor

Conservador ao extremo, ele policiava os instintos toda vez que saía na rua e imaginava uma das belas moças com menos roupa do que devia. Era normal que se imaginasse. Ele era homem, elas, mulheres.

Elas sorriam, ele baixava a cabeça. Elas olhavam, ele desviava o passo. O medo de se fazer conhecido era tanto que chegou a não olhar pra frente enquanto andava, por muito tempo. Mas algo iria mudar toda aquela introversão. Não chegaria a ser uma pessoa completa sem que ao menos conhecesse alguém que tinha o que lhe faltava.

Então, ela passou.

Cheia de graça. Mas não na calçada de Ipanema. A bela morena olhou em seus olhos e, num instante mágico, fez o mundo mudar a rotação. O sangue parou de correr nas veias do cara estranho. E depois voltou tão rápido que o coração disparou num sopapo.

Ela mal conhecia a vida. Ele já tinha lá suas ideias de mundo. Tornara-se conservador por acaso, depois de muito ter aproveitado em sua mocidade precoce. Mas ambos se encontraram. E até se interessaram um pelo outro, mas se deixaram caminhar pelas ruas como quem nunca viu.

Mais um encontro. E depois outro. E outro. E já se viam com freqüência. Mesma hora e mesmo lugar. Ou lugares diferentes. Então o primeiro “oi” e depois todas as saídas e conversas. E até descobriram que podiam ser mais que amigos depois de um tempo, mas resolveram não arriscar.

Ela era quieta, mas tinha um jeito que, se não o fazia avançar, o deixava tremendo na base. Um olhar faceiro. Aquele jeito de mulher decidida. Que sabe muito bem o que quer.

E de tanto se fazer de santo, o nosso cara estranho resolveu fugir da moça. Mas já era tarde quando resolveu sair de perto. Preso até no pensamento, não daria muito certo.

Casou-se, então, e se tornou mais feliz do que achava que já tinha sido. Conheceu a mulher perfeita. Que sabia seus gostos; e os fazia todos os dias. Desde o café na cama ao programa favorito de televisão. E ele também fazia seus gostos. Com uma mulher daquela não poderia apenas querer ser “bajulado”.

Se ajeitaram. E cresceram juntos. E cada dia pensavam como tudo começou. E se apaixonavam mais uma vez.

Um comentário:

Jeancarlo disse...

Comentário do meu ego: Eu realmente não gostaria de ser esse cara, vida perfeita, mulher perfeita, acho que eu me matava XD.

"...amar é abanar o rabo, lamber e dar a pata"
Cazuza