Desde que nos entendemos por gente, a inocência dos pequenos gestos de amor se esvai em lembranças. Somos criados apenas para competir e nos fazer mais fortes e mais espertos, como se tudo no mundo fosse acabar numa seleção natural.
Os gestos simples que movem nossas vidas de maneira tão agradável perdem o total sentido. A essência do bem em nós vai morrendo. Quando deixamos de amar e respeitar o próximo.
Quando deixamos de tentar compreender o que o outro passa, o que o outro sente. Quando achamos que somos superiores, porque temos algo a mais ou um título concedido por alguém que tem um título maior que o nosso.
Nota-se uma sociedade pobre de liberdade. Onde um impõe ao outro o que fazer; o que falar; o que vestir; por onde andar. Nota-se o medo de “pisar fora da faixa” e ser condenado à exclusão. Nota-se a inquietude da alma; aflita.
O coração, ao contrário do que muitos pensam, não é o órgão dos sentidos. Não move o amor, a dor, o medo... mas sofre as conseqüências de um sistema nervoso afetado pelo mau estar de viver preso à coisas que nem mesmo entende por que.
Estamos perdendo a capacidade de perdoar. E acima de tudo, de amar as pessoas. Achamos que tudo deve ser como queremos, e, sem perceber, magoamos a quem nos faz tanto bem.
Custa olhar para si um pouco? O que será que o meu próximo tem; o que será que ele sente? Dialogar resolveria tudo, se o egoísmo não secasse as chances de viver em comunhão com o próximo.
Então é isso (eu acho). Que possamos ver o outro não apenas como amigo, irmão, companheiro ou saco de pancadas. Que passemos a ver o próximo como vemos a nós mesmos. Se nos achamos perfeitos, que os vejamos perfeitos; se nos achamos puros e santos, que o vejamos como mais santos ainda; se nos achamos capazes de julgar, que não reclamemos do julgamento vindouro. Sejamos mais amorosos, menos hipócritas; mais amigos, menos interesseiros; mais fiéis, menos traiçoeiros. Que sejamos mais amigos!
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