Eu tentei ser igual a todo mundo. Sorrir em reuniões fraternas; chorar nos momentos tristes; dizer “olha o passarinho” ou “xiiiis” quando alguém estivesse esperando que as pessoas se arrumassem para fotografar. Mas eu não era como todo mundo.
O que mais me incomodou durante anos foi a normalidade de todo mundo frente à minha inconstância. O sorriso ou a lágrima que nunca vinham no momento esperado. E às vezes nem vinham!
Eu já tentei ser atriz, já tentei ser inteligente, já tentei ser modelo, já sonhei que apareceria na televisão... eu era menina. Engraçado a naturalidade quando falo “ser inteligente”, mas ser inteligente, quando se tem pouca idade, significa apenas ser nerd. Algo que, sinceramente, é para poucos. Porque o nerd não necessariamente se priva de uma vida social e é feio, ele escolhe a melhor parte. Só isso. Depois se diverte como lhe parecer mais cômodo.
Quando entrei na adolescência, mais uma vez, a fase da sonhadora voltou. Meu sonho era ser cantora. Mas todas as moças querem ser cantoras, e nem sempre têm talento. Geralmente as piores brigas que alguém pode encontrar por solos e microfones acontecem na igreja. Não quero colocar sobre a igreja a responsabilidade de tantas vozes terem se calado. Mas muitas vezes as moças ficam brigando entre si e alguém pra não se meter na briga cai fora. Mesmo sem saber se era aquilo que o Senhor queria pra ela ou não. E se torna meio triste, porque ficou algo vazio numa de suas fases da vida.
Aconteceu comigo. E só não me tornei vazia porque o Senhor fechou todos os espacinhos vagos com Seu infinito amor. Depois de ter as feridas saradas pelo Senhor, a vontade de seguir em frente se torna maior, e a alegria passa a ser constante pela certeza de que Ele está do lado.
Hoje ainda tenho milhões de sonhos. Muitos que, por descuido, permito que saibam. Outros que ficam entre eu e Deus. No dobrar dos joelhos, a portas fechadas. E que, por mais que demorem, serão realizados. No tempo de Deus.
E por que não dizer que hoje pareço mais normal?
Na verdade, quando somos jovens tudo é por extremo. “Ou é isso, ou eu morro”. Tem que acontecer do nosso jeito. Tem que estar “de acordo com o nosso plano”. A maturidade do que é ou não certo, do que tem ou não que acontecer e do que é ou não imediato nós começamos a notar quando vamos crescendo. Em experiência, em espiritualidade. Dentro de nós mesmos.
Talvez, hoje, essa maturidade esteja se aproximando de mim. E daqui a alguns anos eu seja a mãe ou tia chata de algum jovem que não entenda o porquê de certas proibições. Mas a vida é um ciclo. E quando as sementes se tornam árvores e seus frutos nascem e crescem, antes que liberem suas próprias sementes, vão passar por tudo que as árvores passaram. E quando se tornarem árvores, lembrarão de tudo o que foi dito. E serão como seus pais.
“Ainda somos os mesmo e vivemos como os nossos pais” – Belchior
“Você culpa seus pais por tudo, e isso é absurdo! São crianças como você. O que você vai ser quando você crescer?” - Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá
Um comentário:
um dia todo mundo tem que mudar
querendo ou não ..
amadurecemos. (:
como também depende da pessoa se quer amadurecer... ou não, rs.
amei mana ;*
Postar um comentário