Dentre as muitas coisas que tive o prazer de conhecer e experimentar, apenas uma não sai da minha vida. A música. É inexplicável o poder que ela tem sobre mim, e como ela consegue mover o mundo, movendo apenas um arpejo, um acidente ocorrente. É inexplicável como qualquer outra coisa que saiu da minha vida não faz a menor falta, mas a música faz.
Dizem que o músico, quando nasce, já tem seu destino traçado. Em determinado momento vai se ver imerso aos compassos da vida. Aos compassos da Amada Imortal. A música. E quando, nela, encontrar refúgio, não mais conseguirá viver feliz distante.
A música, agora, tornou-se uma forma de prazer audível. Já não consigo mais sustentar as poucas gramas que minha flauta pesa. É como se nela existisse todo o peso de uma construção inacabada que, com o tempo, veio ao chão. E o que mais dói é a certeza de que nunca será a mesma coisa. A dedicação não se aplica ao período atual. É como lutar contra o impossível. A vontade de seguir em frente e o medo do mal no próximo passo.
Creio que agora esse universo esteja velho e empoeirado. Ninguém mais se interessa por olhar o que acontece nele ou sair por aí espalhando as migalhas da vida alheia. E me falta a música.
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