quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Dama de Ferro

Não era raiva do mundo, descontentamento com o próximo, orgulho ou mágoa. Ela não era flexível. Nasceu assim, e ninguém conseguiu mudá-la. Nem mesmo sorrisos momentâneos, alegrias contínuas e momentos prazerosos a faziam ceder à conformidade natural do ser humano.

Ela não tinha medo de tudo, mas parcela do todo já tornava o aspecto de tudo mais obscuro. Ela tinha medo do que iria encontrar pelo caminho; precaução era a pedida certa! Sem baixar a cabeça, sem pedir ajuda. Ela e a estrada, apenas. Não guardava rancor, não tinha vontade de brigar. Era dura, e boba ao mesmo tempo. Até ter seu espaço invadido.

Por instinto, a Dama de Ferro pôs-se acuada. Não entendia o porquê de uma atitude brutal e descabida, e não sabia como se defender. E com o tempo foi sentindo mais medo de sair, e de ser quem de fato sempre foi. Criou uma casca.

Foi rígida consigo mesmo durante anos. Não deslizou; não admitiu erros; não viveu pra si. Nunca acreditou que pudesse existir o amor; nunca confiou em homem nenhum. Nunca se entregou. Nunca arriscou. Temia o que pudesse acontecer, e nunca imaginou que pudesse receber algo de bom.

Entregou-se ao isolamento quando já não via mais saída para o entendimento daquilo tudo. Fria, brutal e sozinha. Mas existia alguém que a deixava tremendo as bases, e então preferiu tomar distância. Como se fosse fácil.

Não conseguiu se distanciar. Acabou se unindo tanto ou quanto mais não queria. E acabou cedendo ao querer que não queria. E deixou de ser Dama de Ferro. Tornou-se como ferro derretido. Aprendeu a confiar, e descobriu o que era amor. Mesmo ainda achando estranho senti-lo. Fez-se Dama, apenas.

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