Por muito tempo estive presa a fios que me ligavam a algo que não entendia ao certo o que era. Esses fios não possibilitavam movimentar-me, crescer ou fazer algo por meu próprio consentimento. Vivia como um marionete. Outro ser me guiava todos os movimentos, escolhas, vida. Mas eu não sabia que tinha vida até então. Era um marionete. Estático quando abandonado no canto do baú.
Sempre tive certo problema em me sentir movimentada pelas outras pessoas. Não gosto de perder o controle que tenho sobre mim. De alienar em coisas que não condizem com o que quero de fato, mas já alienei algumas vezes. E o que mais me marcou até agora só aconteceu quando descobrir que por trás da tela, no palco, tinha alguém movendo meus fios. E que se esse alguém não estivesse ali, meu boneco tinha vida. Foi quando resolvi viver.
Não sei se por vontade maior ou por leve desejo de liberdade, pude me desprender aos poucos dos fios que me sufocavam. Cortei o cordão principal, e pude então mover meu lábios como bem entendi. Em seguida os braços, as pernas, e qualquer outro movimento que desejasse executar, eram executados por mim mesmo.
Caminhei. Sorri. Falei. E descobri que podia sentir e expressar meus sentimentos. E poderia pensar em como expressar cada detalhezinho da forma mais limpa e sublime que alguém no mundo poderia. Do jeito que eu mesmo via as coisas, que para os outros poderiam parecer tão simples ou tão sem graça. Descobri a importância das coisas.
Hoje controlo meus passos, meus atos, minhas escolhas. E sei que, quem antes controlava minha vida, ainda me observa ao longe. Desdenha de mim, e pode até falar mal. Porque perdeu o controle que tinha. O respeito que tinha. Quando resolvi me libertar.
Tomo como exemplo um outro marionete que se livrou. E disse “sou liberto” na primeira oportunidade que teve de falar sobre o caso da libertação. Foi-se o sofrimento, veio a calmaria, depois a alegria, depois a total certeza de que tudo é melhor. É diferente.
Cortei os fios que me prendiam ao mundo imaginário, no qual era apenas mais um... sob o controle de tantos outros, que nem sabem ao certo o que fazer de si!
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